14 janeiro 2017

Capítulo 5



(...)


           -Você tá bem?
          -Hunrrum. -Concordou ainda olhando para fora da janela. -Acho que nunca vim nesse lado da cidade.
          -Não? Então você não sabe o que tá perdendo. Tem uma sorveteria por aqui, que faz sorvetes de sabores que você nunca imaginou na vida. É muito gostoso. -Ela me olhou rindo e eu fiquei constrangido. -Que foi?
          -Você parece uma criança falando desse jeito. -Cocei minha nuca e ri fraquinho para disfarçar minha falta de jeito. -O que mais tem por aqui que eu não sei?
          -Sei lá, tem uma parque bem irado, com uma montanha russa enorme. -Pensei mais um pouco. -Ah! Tem uma das melhores baladas que já fui na minha vida, também.
          -Então quer dizer que este é o lado divertido da cidade?
          -Mais ou menos. -Percebi que o taxista olhava para nós 2, pelo retrovisor. -Vocês moram a pouco tempo aqui?
          -O Luan mora a uns 5 anos mas eu só me mudei depois do casamento. Então faz quase 2 anos.
          -E ele nunca te trouxe pra esse lado da cidade?
          -Que eu me lembre não. -Ela tinha sua cabeça apoiada para trás, no acento do táxi, e uma postura de cansada. -Seu filho vai fazer quantos anos?
          -4.
          -Nossa! É novinho.
          -Sim. Mas cresce rápido e quando eu menos notar vai está com 14, reclamando da vida.
          -Ah isso é verdade! -Se pronunciou o taxista e nós rimos. -Se eles fossem crianças para sempre seria fácil.
          -Adolescentes são tão complicados assim? -Questionou Stella.
          -Você não faz ideia. Vai entender quando tiver um. -Respondeu o homem.
          -Ah não! Eu não pretendo ter filhos. -Acho que a reação do taxista deve ter sido a mesma que a minha: de espanto.
          -Como não? -Expressei minha surpresa.
          -Eu adoro crianças mas acho que não sirvo para o papel de mãe.
           -O que seu marido acha disso? -Obviamente o moço notou sua aliança na mão esquerda, já que a perguntou isso.
          -Deixei claro desde o início e ele sempre disse que tentaria mudar minha decisão mas até hoje isso não aconteceu.
          -Ele te ama muito então. Porque pra casar sabendo que você não pretende construir uma família... -Comentou o moço.
          -Ele sempre respeitou essa decisão minha e também eu gosto de deixar nas mãos de Deus. Se vier uma criança eu a amarei muito, mas planejar? Eu não pretendo.
          -Você vai mudar de ideia assim que vier o primeiro filho. -Me pronunciei sobre o que eu pensava daquilo. -Aquela coisinha pequena muda nossa vida de um jeito que você não consegue imaginar. É um turbilhão de sentimentos que parece não caber no peito. Sério! Não tem como te explicar.
          -Seus olhinhos brilharam, agora. -Nem notei que nós nos encaravamos olho a olho. Então logo a vergonha voltou e eu abaixei meu olhar. Ela riu fraquinho, por ter notado. -Bom... Se um dia acontecer de eu sentir essa sensação, prometo voltar aqui e compartilhar com vocês.
          -Acredite.. Um filho é a melhor coisa que pode acontecer a um casal. -Completou o moço e nós seguimos o restante do caminho conversando sobre assuntos da cidade. Estava muito bom o papo mas quase já não havia lugares para passarmos, até o endereço de Stella. Então resolvemos que estava na hora de ir para casa. -Pronto moça.
          -Obrigada seu Lúcio. Foi um prazer lhe conhecer.
          -O prazer foi meu senhorita, quer dizer: senhora. -Ela saiu do táxi e eu a acompanhei.
          -Muito obrigada Neymar. Nem sei como te agradecer, é sério.
          -Pode começar me chamando de Júnior, po.
           -Acho que não temos toda essa intimidade.
          -Mas é que Neymar fica muito formal. Parece que estão falando com meu pai, ao em vez de comigo.
          -Tá bom então. -Ela ia entrando na casa e eu me virei para voltar ao táxi. -Ei! Seu casaco. -Ela tirou o mesmo.
          -Pode ficar.
          -Claro que não. É seu. -Me entregou. -Obrigada de novo. -Sorriu e finalmente entrou na casa. Voltei ao táxi e disse meu endereço para o moço. Quando cheguei notei que os moleques não haviam voltado ainda. Tomei um banho e minha curiosidade em sentir aquele cheiro novamente, me tomou conta. Aquele casaco jogado sobre minha cama parecia me chamar, de forma que eu nem conseguia raciocinar direito. Então não resisti a tentação e aproximei meu nariz ao tecido, sentindo aquele cheiro forte e delicioso. Tão bom, que me fez suspirar algumas vezes. Não sei qual o perfume que ela usa, mas seja lá qual for, é muito bom.


Stella P.o.v.:

          Já faz alguns dias desde o vexame que o Luan fez no bar. Discutimos feio no dia posterior e já faz mais de 1 semana que não conversamos. Nem nos cumprimentamos, para ser mais exata. Mas lhe dar um gelo duro, é o mínimo que posso fazer para lhe punir por aquela cena, né mesmo?

          Nesse momento eu estou terminando os preparativos do aniversário do Davi Lucca. O Neymar disse que sua irmã quem ficaria responsável por supervisionar e escolher o estilo da festa, então ela está comigo, no salão escolhido por ela mesma.

          -Acho que essa parte dos balões poderia ficar na entrada. -Eu disse, me referindo aos balões de letras, que formavam a frase: Feliz aniversário Davi.
          -Pode ser. E essas faixas vão junto?
          -Sim.
          -Então aqui nós poderíamos colocar uma foto do Davi, do tamanho dele. Que tal?
          -Claro. Você quem manda. -Ela riu e eu anotei a mudança no tablet.
          -Você e seu marido vão vir, não é mesmo?
          -Não sei. Não estamos em um bom momento, depois daquele dia no bar. -Ela franziu a testa, como quem não entendeu o que eu disse. -Seu irmão não contou?
          -O quê? -Acho que o Neymar não quis ser inconveniente, falando da cena do Luan, para os outros.
           -O Luan bebeu esses dias e foi até o barzinho onde eu estava, quase caindo pelos cantos.
          -E o que meu irmão tem haver com isso?
         -Eu estava com uma amiga e ele com alguns amigos, também. Quando chegou, me reconheceu e foi nos cumprimentar. Acabou que todos nos juntamos em uma só mesa.
          -Então seu marido chegou e ficou com ciúmes?
          -Não. O constrangimento foi por ele estar muito bêbado e querer me beijar, naquele estado.
          -Nossa! O Juininho não me disse nada.
          -Acho que ele quis me polpar de mais constrangimento.
         -Desculpa se causei incômodo, te fazendo falar disso.
          -Relaxa. Eu quem toquei no assunto. Mas voltando a festinha: se quiserem almentar o número de convidados, pode falar que eu acrescento mais mesas.
           -Não. Já estou achando exagerado demais 51 convidados.
          -Eu imaginei que seriam bem mais pessoas, por ser o filho do Neymar Júnior.
          -Meu irmão pode ser esse jogador super famoso, mas é bem humilde. Ele gosta de simplicidade. Só fez essa festa mais elaborada porque quando se trata do filho, ele gosta de esbanjar. -Continuamos conversando mais um pouco antes de voltar aos preparativos da festa.
     Ela é encantadora, tem um jeito bem reservado mas quando pega intimidade, é muito simpática. Devo admitir que é mimada, só que não a culpo por ter a sorte de ter uma boa condição de vida, graças ao irmão. Tem mais é que aproveitar mesmo.


  • 2 dias depois

      A Rafaela e dona Nadine fizeram questão de minha presença no aniversario então eu acabei concordando em ir ao evento. Claro que em alguns casos eu sempre vou aos eventos para me certificar do sucesso, mas aniversários não exigem minha presença. Só que dessa vez vou como convidada.

      Ainda não estou de bem com o Luan, porém o chamei para ir comigo. Ele não é meu namoradinho, o qual não sou obrigada a levar para os lugares. É meu marido e tenho deveres para com ele. Só que ele quem não quis ir. Acho que está com vergonha de encarar o Neymar e eu no lugar dele, também estaria. Então estou indo para não desmarcar, porque não imaginei que fosse sozinha.




(...)

3 comentários:

  1. Já quero ela e o nj juntoos (o luan que me perdoe, kkk). Tá perfeitaaa, ameei! Continuaa, lindaa. Bjoo!

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  2. Continua, ela deveria ficar uito, muito, mais muito proxima do Junior nessa festa e ele a levar pra casa, mas ai ela pega ele o traindo, o Junior da apoio, se beijam, casam, tenham filhos e vivem felizes para sempre
    -Mary

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