07 janeiro 2017

Capítulo 1



    Julho de 2015

       Passamos o São João em Goiânia, junto com nossas famílias e estamos voltando, nesse exato momento, para Barcelona.
 Ainda no avião Luan me chamou a atenção por estar muito calado, não só agora como durante toda a nossa estadia no Brasil.

          -Amor? -Lhe chamei a atenção e ele virou sua cabeça, que estava apoiada na poltrona, para meu lado.
          -Hum?
          -Você tá bem?
          -Por que não estaria?
          -Você estava desanimado durante toda nossa viagem e não dá uma palavra desde ontem.
          -Só estou cansado amor. Não me acostumo mais, com toda essa energia brasileira.
          -Tem certeza?
          -Claro. Só não falei muita coisa desde ontem, porque são só 9 horas da manhã. -Ele soltou um riso e eu também. -Fica tranquila que eu estou bem. -Me deu um selinho. -Não vejo a hora de chegar em casa e descansar.
          -Tudo bem então. -Faltavam mais de 8 horas até chegarmos e eu deixei que meu marido descansasse. Meia hora depois ele estava com sua cabeça encostada em meu ombro, dormindo como pedra.

   Ele realmente precisava descansar, pois amanhã ainda vamos a mais um jogo do seu time de coração. Ele quase mata e morre pelo Barça, eu chego a ter ciúmes pelo amor que ele tem nesse time mas não costumamos brigar por isso, afinal não há precisão. E além disso, ele volta a trabalhar daqui a 4 dias. Descansar vai ser preciso para ele.

          -Enfim casa. -Larguei minha mala no sofá e me sentei ao lado dela, enquanto o Luan trazia a dele e fechava a porta de nossa casa.
           -Você viu aquele taxista? Ele quase te comeu pelos olhos.
           -Quê? -Me fingi de desentendida e fui pegar uma água na cozinha, para evitar discussão.
           -Não vem com essa. -Foi em vão,  minha tentativa, pois ele me acompanhou.
           -Para Luan. Acabamos de chegar e estamos cansados. Não é hora pra brigas.
          -Tá bom. -Ele veio até mim e tirou o copo de minha mão, colocando-o no balcão. -Você tá mesmo cansada?
          -Sim. E você também. -Ele beijou meu pescoço de leve.
            -Eu?
            -Foi o que você falou no avião. -Depositou outro beijo no meu pescoço.
            -Mas isso foi antes de eu dormir, quase 7 horas na viagem. -Entendi o que ele queria dizer com aquilo e tratei de o puxar para um beijo, intenso e gostoso. -Você ta linda nessa roupa. -Começou a levantar minha blusa.
           -Isso é porque você não viu o que tem por baixo dela. -Sussurrei ao seu ouvido e ele apertou com força, minha cintura, fazendo com que eu colocasse minhas mãos sobre as suas.
Ele finalmente colou nossos corpos e eu pude sentir sua ereção aumentar com o decorrer de nossos beijos e carícias.
          -Já vi sim. E estou louco para ver, de novo. -Me beijou ainda mais gostoso e desabotoou minha calça com certa ostilidade. -Sério você tá muito bonita, por isso aquele babaca  não tirava os olhos de você. -Ele me ajudou a tirar os saltos e voltou a beijar meu pescoço.
          -Esquece isso.
          -Até porquê você é minha. Só minha. -Tirou minha calça e eu o ajudei com as suas roupas, enquanto nos beijavamos ferosmente. -Fala isso pra mim.
            -Falar o quê?
            -Que você é minha e sempre vai ser. -Seu olhar estava diferente, como se estivesse desesperado para ouvir aquilo.
           -Eu te amo e sempre vou ser sua, assim como você é meu. -Ele abriu aquele sorriso que me faz feliz e voltamos a fazer o que fazíamos antes: aquela pegação intensa e cheia de desejo. Nos amamos ali mesmo, no balcão da cozinha e depois ele foi tomar banho enquanto eu desfazia as malas.
             -Trás uma toalha, por favor, amor! -Ele pediu do banheiro e eu fui procurar uma, no nosso closet. -Amor?
           -Já estou indo! -Quando tentei pegar a toalha, na parte mais alta, algumas coisas cairam sobre mim e eu acabei me desequilibrando sobre o banquinho no qual me encontrava. Caí de bunda no chão. -Aí!
           -O que foi esse barulho Stella?
           -Nada. Já estou levando a toalha. -Quando peguei do chão a toalha, uma caixinha, aparentemente de jóia, caiu sobre meus pés. Fiquei curiosa e a abri. Nela tinha um colar maravilhoso, que obviamente não teria sido nada barato. Fiquei ainda mais surpresa quando encontrei um bilhete onde as letras de meu marido se encontravam escritas.


Não vejo a hora de nos encontrarmos, estou morrendo de saudades. Feliz aniversário. Te amo.
P.S. Luan


Como assim? Pra quem diabos Luan escreveu isso? Para mim não podia ser, já que nao há motivos para sentirmos saudades, se moramos juntos.

            -Stella? -Me tirou de meus pensamentos, e eu guardei a caixinha com o bilhete no mesmo lugar onde estava. Levei a toalha para ele e voltei a desfazer as malas.

   É sério que meu marido pode estar me traindo? Depois dessa tempo todo juntos, ele seria capaz de se envolver com outra mulher, casado comigo? Eu sei que parece idiotisse eu não saber que homem é safado e trai com facilidade mas estou com ele desde os meus 15 anos de idade e nunca se quer tive indicios que me fizecem crer que ele me trairia.
   Sempre tivemos muita confiança um no outro e não dávamos motivos para o contrário.
   Mas para quem seria aquele bilhete? De quem ele está com saudades? Por que ele estava escondendo aquilo, no meio das toalhas? "Te amo!" Ele me jurou que nunca falou isso para outra garota e eu idiota, acreditei.

     Notei que ele já havia saído do banheiro e aproveitei para tomar o meu banho e colocar as ideias no lugar. Fiquei me remoendo por dentro para não sair dali e tacar uma vassourada naquele cachorro.
Em todo esse tempo de convivência nunca senti tanto ódio dele, como agora. É claro que nossa relação não é só flores, mas esse espinho que foi implantado hoje, não é como qualquer outro já existente.

   Só sai do banheiro quando tive certeza que ele estava dormindo, para evitar briga. Mal consegui dormir, com minha cabeca latejando a ideia de eu estar sendo feita de trouxa, e não ter percebido nada.

No outro dia...

           Passei o dia quase todo deitada na cama, fingindo estar descansando, enquanto ele assistia algo na TV e arrumava algumas coisas pela casa. Ele até veio me chamar para almoçar mais eu admiti não estar com fome e ele não insistiu muito, pareceu entender que eu queria ficar ali.

   No final da tarde me levantei para fazer o jantar pois ainda estava com a ideia de ir para o jogo e não queria o deixar ir sozinho. 'Vai que ele arruma alguma torcedora por lá e me traia sempre que não estou com ele...' Meu Deus, olha as coisas nas quais estou pensando. É o fundo do poço, só pode ser.

    Trocamos pouquíssimas palavras durante a refeição e no caminho para o estádio. Quando chegamos, eu o acompanhei até o camarote que ele sempre fica e me sentei para esperar o jogo começar. Fiquei mexendo no celular, conversando com minha mãe e olhando o Instagram.



     Durante toda a partida fiquei quieta e só observei a empolgação do Luan com a clara vantagem do Barça sobre o outro time.
   Quando ele se juntava com aqueles amigos, era pra falar de futebol na certa. E quando iam pro jogo, sempre tinham que ir juntos. Eu nunca me incomodei e não é agora que vou me incomodar, só que minha cabeca não para de imaginar em que ocasiões ele pode ter tido chance de me trair.

           -Eu sabia que ia ser moleza pro Barça. -Falava Carlos, amigo de meu marido.
           -Estou achando que minha mulher é o amoleto da sorte, porque sempre que ela vem, o nosso time tira de letra o jogo. -Me deu um beijo na bochecha e eu sorri amarelo, enquanto saíamos do camarote.
           -Então ela tem que vir mais vezes.
           -Pode deixar Carlos, vou carrega-la para cima e para baixo agora. -Íamos até a saída do estádio mas estava muito tumultuado então um dos amigos de meus marido, deu um jeito de irmos por outra saída, mais reservada.
            -Tem certeza que vão nos deixar sair, por aqui Enzo? -Perguntou Carlos e o Enzo afirmou, com convicção, que não haveria problemas.
          -Ei! -Exclamou um segurança do local e eu logo pensei: "vai dar Merda!" -O que fazem por aqui? -É óbvio que eles dialogavam em espanhol, mas eu contarei o que aconteceu, traduzido.
           -A outra saída está muito cheia. -Respondeu Enzo.
           -Vocês não deviam estar aqui.
          -De Boa. Eu conheço o Marquinhos.
          -Mas essa saída é reservada. -O segurança tentava concientizar o Enzo, mas ele insisitia em querer sair por ali, já estávamos ficando sem paciência quando ouvimos várias vozes ecoando sobre o local. Eram alguns jogadores e uns caras da assistência.
          -Ali ô! Ô o Marquinhos ali. -Apontou Enzo para um dos caras e o tal Marquinhos abriu um sorriso quando o viu.
          -Enzo! -Fizeram uns toques estranhos e todo o pessoal parou para se cumprimentar, inclusive os jogadores. -Pode deixar eles saírem por aqui, são amigos meu. -Explicou para o segurança e o Luan, junto com os amigos não paravam de babar os jogadores. 
           -Cara, não acredito, Neymar caralho. -Falou Carlos ainda espantado com o fato de estar o conhecendo pessoalmente. Já o menino só sabia rir, um pouco sem jeito.
          -Que mal educados nós somos. Nem cumprimentamos a moça.  -Sorri envergonhada, ele apertou minha mão e a beijou. -Sou o Marquinhos. -Balancei a cabeça e senti as mãos do Luan sobre minha cintura. -Desculpa, não sabia que estava acompanhada.
          -Não tem problema. -Respondi simpática e todos os outros apertaram minha mão e me cumprimentaram.
          -Vocês são brasileiros? -Perguntou o Neymar e Carlos assentiu.
          -Como sabe? -Questinou meu marido.
          -Um brasileiro sempre reconhece outro. -Eles riram. -E também a moça entregou vocês. -Todos me olharam e eu tinha a mesma feição que eles: a de curiosidade. -Ela é brasileira pura. -Acho que todos entenderam o que ele quis dizer com isso. Meu tipo de corpo é o famoso biótipo brasileiro. Luan apertou ainda mais minha cintura, mas foi óbvio a ingenuidade com a qual o jogador fez a brincadeira. Tanto que todos Rimos.
          -Bom, temos que ir agora. -Falou o Marquinhos e tratamos de nos despedir.

Tive que aguentar o caminho inteiro, os homens falando sobre Neymar. Já não aguentava mais ouvir aquele nome.
Chegamos bem tarde, já que Luan teve que deixar os meninos em casa.

Nem esperei muito, para não dar brecha ao Luan e fui logo me deitando na cama, para evitar conversa. Acho que ele notou e me deixou quieta, sem perguntar nada, nem se quer chegar perto.

(...)

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Como falei: dependendo dos comentários teria urgência em postar. Então aqui está o primeiro capítulo em apenas 10 horas.
P.S. Não deixem de comentar.

3 comentários:

  1. Continua!!!
    Está Maravilhoso !!!
    ♥♥

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  2. Eu amei, continua que está perfeito.
    Se você puder divulgar meu blog http://ounicoproblemaenaoteteraqui-njr.blogspot.com/

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