13 janeiro 2017

Capítulo 4




(...)


          Ele vinha quase que cambaleando e sua mulher tinha uma cara enfurecida sobre sua direção. Também, pudera não é mesmo? Sua situação era deplorável, e além dele mesmo, estava fazendo ela passar vergonha em público.

    Ele esbarrou em uma das mesas perto da nossa e pediu desculpas, todo enrolado. Depois se aproximou de nós, já fazendo um alvoroço por reconhecer a mulher. Nesse momento a Stella já morria de vergonha, pela falta de educação do marido.

          -Stellinha meu amor. Vem cá me dá um beijo, vai! -Tentou a beijar mas ela se levantou da cadeira, evitando-o. -Que foi amor? Vem cá! -Sua amiga também se levantou e todos nós fizemos o mesmo, por cavalheirismo. -E aí rapaziada? Tudo bom com vocês? -Ele apertou a mão dos meninos e quase caiu sobre eles.
          -Era o que me faltava. -Stella estava super desconcertada e passou a mão sobre a testa, incrédula. -Cadê o Enzo e o Carlos, Luan?
          -Não aguentaram tomar mais nenhuma. São muito fracos pra bebida. -Soltou um riso e foi irônico ele falar aquilo, naquela situação. -Agora vem cá amor! Me dá um beijo? -Ele tentou a beijar mas ela conseguiu sair de seus braços e vir para perto de mim. Coloquei-a atrás de meu ombro para evitar que ele agarra-se a força.
          -Cara, vamos sair daqui, vamos? -Tentei ser educado com ele e peguei em seu braço para o levar para fora do bar. Mas ele foi rude e me empurrou com certa hostilidade. Os moleques logo vieram pra perto de mim, para evitar uma briga.
         -Luan! Chega! -Sua mulher exclamou e saiu o puxando para fora do bar, sobre os olhares de todos que estavam ali. Logicamente eu não a deixaria sozinha.
          -Não Júnior. Não se mete na briga deles.
          -Como não Jota? Olha como ele ta? E se ele machucar ela?
          -Relaxa. Ele não faz nada com ela e também eu vou lá pra ter certeza. -Disse a Luana e começou a mexer em sua bolsa.
           -Não. A gente paga. -O Jota não a deixou abrir a bolsa. -Vai lá. Esquece isso que a gente paga. -Ela agradeceu e foi até a saída do lugar. -Que Barra!
            -É. Mas agora vamos sair daqui, porque se alguém fotografa o Juininho no meio disso tudo, vai render matéria amanhã. -Seguimos o Conselho do Gui e pagamos a conta para logo ir embora. Por sorte ninguém me pediu foto durante nossa saída e a gente conseguiu sair ilesos dali.

         Ao entrarmos no estacionamento vi a Stella com uma mão na testa e possivelmente respirando fundo. Quando me aproximei percebi que ela chorava fraquinho. Nem chamei os meninos, apenas fui em sua direção para acalma-la, se fosse preciso.
          -Tudo bem? -Ela me deu as costas e parecia limpar as lágrimas rapidamente. -Eu queria pedir desculpas por me intrometer entre vocês, lá dentro. -Ela não se virou e eu pensei que estava me ignorando.
            -Obrigada. -Sua voz saiu embargada. -Desculpas peço eu, pelo jeito que o meu marido te tratou. -Ela ficou de lado para mim e se apoiou em um dos carros que tinha ali. -Ele nunca bebeu tanto assim, não entendo o que tá acontecendo com ele.
          -Eu sei que ele é um bom homem. Vi isso em todas as vezes que ele estava sóbrio. -Ela me olhou com os olhinhos arregalados, talvez por ter se sentindo ofendida com minhas palavras. -Desculpa. Não quis dizer isso. Eu... -Ela foi relaxando de novo e eu me aproximei.
          -Sai com tanta pressa que esqueci de pagar a conta.
           -Não precisa se preocupar.
          -Claro que sim. Fomos nós, quem convidamos vocês.
          -Mas nós somos os homens. Deixe-nos ser cavalheiros. -Ela sorriu como forma de agradecimento e depois soltou uma gargalhada. -O que foi?
          -Não teria como pagar. Deixei minha bolsa no carro da Luana. -Me mostrou suas mãos vazias e ri junto à ela.
           -Sua amiga já foi?
          -Já. Não queria lhe causar mais incômodo.
          -E seu marido? -Ela respirou fundo e voltou a me olhar nos olhos.
          -Coloquei ele em um táxi. Ele que se vire para entrar em casa. -Ficamos alguns segundos em silêncio e eu admito que estava admirando a beleza daquela mulher que estava na minha frente, com os olhinhos um pouco vermelhos e os cabelos sacudidos pelo vento. Como pode alguém ser tão bonita assim?
          -Bom... E você? -Ela colocou uma mexa de seus cabelos para trás da orelha e fez uma cara de desentendida. -Como vai voltar para casa?
          -Ah sim! Não vou agora, preciso esfriar um pouco minha cabeça. -Percebi que ventava muito então abri o zíper de meu casaco para lhe oferecer. -Não precisa. -Dizia enquanto eu tentava colocar o casaco por cima de seus ombros.
          -Tá frio e você disse que não vai pra casa agora, então vai precisar. -Ela cedeu e deixou que eu a cobrice. Que perfume Jesus. Seu cheiro me embriagou mais que qualquer álcool que já bebi. -Você vai ficar aqui? -Não sei se ela notou minha falta de jeito perto dela mas acho que era nítido.
          -Não. Vou andar um pouco, depois pego um táxi.
          -Com que dinheiro? -Lhe lembrei que estava sem sua bolsa e ela sorriu envergonhada.
          -Verdade.
          -Quer meu celular para ligar pra alguém?
          -Eu só sei o número de três pessoas: da minha mãe, que mora no Brasil e não vai poder me ajudar; do Luan e o meu, que acabou indo junto com o Luan no táxi. -Bufou de um jeito tão bonitinho que eu tive que rir.
          -Acho que posso te pagar um táxi... -Sugeri, com receio dela se sentir ofendida com minhas intenções.
          -Não. Seria abusar de sua boa vontade.
          -Claro que não. Vem, que eu te levo até o ponto de táxi. -Ela parecia pensar na proposta. -Dá pra você ir esfriando a cabeça até la.
         -Tá bom. -Ela resolveu me acompanhar e nós saímos daquele estacionamento.

Ligação P.o.v.:

          -Cadê você NJ?
          -Eu tô aqui perto do bar.
          -Fazendo o quê?
          -Dando uma volta.
          -Hum... -Disse malicioso. -Tá com mulher né? Já entendi. -Ri de seus pensamentos.
          -Não é nada do que você ta pensando irmãozinho.
          -Relaxa. Vou ficar calado, mas se cuida em...
          -Tá bom Gil. -Não quis discordar para evitar prolongar aquela ligação.
           -Tu dá teu jeito pra voltar pra casa?
           -Claro.
           -Certo. Valeu.
           -Valeu.

Ligação off


          -Seus amigos acham que você está com alguma garota?
          -É. Mas não deixa de ser verdade né? -Ela sorriu e 2 caras passaram por nós a secando com o olhar. Estavam tão distraídos olhando para ela que não perceberam que tinha alguém ali do seu lado, que no caso era eu.'
    Ela notou e vestiu meu casaco por completo. Fechando até o zíper do mesmo.
          -Me desculpa pela cena que o Luan fez, no bar.
          -Não precisa. Você não teve culpa. -Ficamos em silêncio e logo chegamos no ponto, esperei que um táxi passasse e o chamei para ela.
          -Como você vai voltar pra sua casa?
          -Vou pegar outro táxi.
          -Porque não vamos no mesmo? Afinal, nossas casas são em condomínios quase vizinhos.
          -Pode ser. -Eu me sinto constrangido perto dela, mas ao mesmo tempo gosto disso. Sei que estou falando de uma mulher casada, só que sejamos verdadeiros: ela chama a atenção de qualquer homem. É impossível não vê-la com segundas intenções. Mas eu estava a acompanhando com todo o respeito que tenho por ela e pelo Luan. Só que meus pensamentos eu não controlo, né mesmo?
     Entramos no táxi e ela disse o endereço, lembrei que ela queria espairecer antes de ir pra casa e que nossa caminhada do estacionamento até o ponto foi muito curta, não deve ter dado tempo dela nem se quer esquecer do ocorrido.
            -Pode fazer o caminho mais longo. -Pedi ao motorista. -O mais longo possível. -Ela devia estar me olhando espantada, foi o que pensei, mas quando olhei-a de canto, ela tinha sua cabeça encostada no vidro e parecia área.

(...)



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Desculpem pela demora.
Respondendo sobre minha outra fanfic: acho que vou abandonar sim; estou sem criatividade para aquela história e venho gostando muito mais desse blog. Mas quem sabe se um dia não volto a escrever por lá, né mesmo?
P.S. Adorei que vocês comentaram bastante no outro capítulo. Façam isso mais vezes.

Um comentário:

  1. Aaai que felicidade!!! Já quero mais, pode? Hahaha, tô amando demaaais. Continuaaa, lindaa. Bjoo!

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